quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Tales of Gamers



.::Prólogo::.
Ele sempre desejou viver dentro dos jogos, pensava que um mundo de fantasia seria melhor do que essa realidade fria, por isso sempre buscava refúgio em seus games passando horas e horas apenas jogando, sem se importar com nada. Mas a realidade é somente uma, e se sentir um sabor diferente ao experimentá-la, são seus lábios que a contaminaram com esse sabor. Darius ainda não havia percebido que o que lhe incomodava era algo dentro dele, não o contrario e que até mesmo a mais pura fantasia tem seus lados glaciais e escuros.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Tales of Gamers


.::Capítulo 1::.
Start a new game
   Os portões já tinham sido abertos há algum tempo, era quase hora do almoço e as pessoas ainda estavam muito agitadas. Apesar do enorme espaço que se tinha, estava um aperto de gente indo e vindo parecendo formigas desorientadas no meio do açucar. Augusto olhou para fora de sua tenda e procurou na multidão alguém que poderia ser um possível cliente. Este evento de jogos eletrônicos tinha sido o maior que já vira em toda sua vida, e o compartimento de vendas, onde se encontrava, havia poucas barracas com sua especialidade, por isso ele pensava que não seria impossível que uma pessoa se interessasse em seus jogos e consoles antigos. Com certeza um gamer viria. Entretanto, ele não podia reclamar de seu lucro que estava bastante alto, duraria por alguns meses se ele soubesse economizar.
  Seus olhos estreitaram quando notou uma "presa" se aproximar, mas logo um largo sorriso se formou em seu rosto.
  — Olá meu jovem! Em que posso ajudar?
  — Em nada, só estou de passagem, vendo o que tem de bom na sua tenda. — respondeu o garoto meio com desdém.
  — Mas eu tenho certeza que alguma coisa deve ser do seu agrado, só tenho jogos excelentes! — Deu uma pausa esperando o garoto respondê-lo. Como ele nada disse, prosseguiu — E então?
  — Você só tem jogos porcaria, — o menino pôs sua franja loira para trás — são jogos tão antigos que me da vontade de espirar. — Sem dizer mais nada, foi embora.
   Augusto resmungou baixinho, porém não desanimou, com certeza um gamer viria, ele tinha que vir, era o ultimo dia do evento e ainda nada. Cada vez mais o tempo estava se esgotando, se ele não conseguisse encontrá-lo... Tudo estaria perdido.
  Darius estava um pouco em pânico, tinha se perdido de seu amigo e as milhares de pessoas não paravam de se esbarrar nele e isso o deixava zonzo, estava com muita fome e queria parar para poder almoçar. O seu estômago reclamava fazendo barulhos e quem passado por seu lado conseguia perfeitamente ouvir os resmungos. Entrou no lugar onde ficava as minis lojas, se arrempendeu um pouco, pois o emburra-emburra estava pior por lá, porém continuou. Enquanto ele passava pelas tendas de venda, ia perguntando se tinha passado alí um garoto loiro de franja, muito branco e meio arrogante. Grande parte dos vendedores diziam que não. Darius estava começando a ficar cansado, quando disseram que tinha visto seu amigo parar numa tenda logo a frente.
  Observou o atendente: um homem com cerca de uns ciquenta anos, todos os pêlos de sua cabeça eram brancos, algumas rugas na testa e uma leve barriguinha discreta e um grande sorriso que o deixava mais jovem.
  — Olá meu jovem! Em que posso ajudar? — Indagou Augusto.
  — É que eu estou procurando um amigo e me disseram que ele parou aqui... Ele é loiro, tem uma franja e é meio mal educado. Você o viu?
"Claro que sim! Aquele fedenho arrogante!", pensou Augusto e dizendo logo em seguida:
  — Não me lembro bem... Enquanto eu tento me lembrar, por que você não dá uma olhadinha na tenda?
  Darius entendeu o jogo que o homem estava fazendo, bem, não custaria nada dar uma olhada e nem comprar alguma coisa que talvez fosse interessante. A tenda não era muito grande, mas era bem organizada; de um lado, em uma estante junto da parede, ficava os jogos, separados por categoria, do outro, num balcão de vidro, os consoles dentro de caixas com partes transparentes e ainda havia uma parte somente direcionada à acessórios, como joysticks e memory cards entre outras coisas. Tudo que havia alí era antigo, com excessões de poucos produtos.
  Depois dessa olhadela sobre a barraquinha, Darius esqueceu de tudo, não se sentiu mais aflito, nem faminto, pelo contrario, sentiu um novo vigor, uma força nova para se manter dentro daquele lugar por mais um tempo. Essa loja é muito massa.
  Augusto notou o novo ânimo que o garoto havia adquirido, foi quase inacreditável. Rapidamente pegou um objeto, que estava reluzindo, em seu bolso. Primeiro ele ficou congelado, logo seu coração disparou freneticamente.
  — Não posso acreditar que você tem esse video game! — Darius fitou Augusto — Isso é uma relíquia, você sabia?
  "Ele pôde enxegar esse console? Então, só pode ser ele!", pensou Augusto incrédulo. Parou um pouco e analisou o seu cliente: um garoto de pele morena, nem tão escura, nem tão clara, olhos castanhos, cabelos pretos, magro e aparentava uns dezesseis anos. Se apressou em dizer:
  — Claro que eu sei disso, e por você ser um ótimo fã de jogos, eu lhe dou 25% de desconto! E ainda lhe dou dois brindes! O que acha?
  — Você só pode estar brincando comigo! É sério?
  — Sim, é serissímo.
  —Não posso perder essa chance, vou ficar com ele.
  — Que maravilha! Aqui estão seus brindes — Augusto entregou um game e o objeto que havia retirado do bolso —, antes que você jogue esse jogo que estou lhe dando, quero que você me responda uma coisa, tudo bem?
  — Pode perguntar.
  — Esse é um jogo muito bom, ele faz você parecer estar dentro dele, magias, guerreiros, monstros, tudo é muito real. Mesmo assim você vai querer jogá-lo?
  — Vou te contar uma coisa, eu sempre quis viver em um mundo assim.
  — Hm, então tá. Ah! Lembrei, seu amigo passou por aqui sim, e seguiu por ali.
  — Depois daquela menina de vermelho?
  — Se não me engano, sim.
  — Obrigado senhor. — Darius foi embora.
  — Você não tem ideia de quão grato eu estou por você ter vindo em minha loja.— Sussurrou Augusto sozinho. Junto com aquele garoto ia todas as esperanças desse vendedor por tudo aquilo que viveu. Darius não sabia o tamanho da responsabilidade que estava sobre suas mãos.
  —Eu pensei que você estivesse me seguindo. Por onde você andou Darius? —Disse Allan, o amigo de Darius.
  — No momento eu só quero comer, depois eu explico, vamos para alguma tenda de comida.
                                                                       ♣♣
  Seus passos eram rápidos e furiosos fazendo eco no corredor mal iluminado. O motivo da pressa e da fúria era desconhecido, mas isso não era uma cena incomum. Ele chegou à porta do quarto do general Clown e a abriu com um empurrão fazendo um barulho tão alto que acordou o dono do aposento.
  — Majestade?! O que aconteceu? — Berrou Clown em um sobressalto.
  — Quanto tempo demora a chegar à base deles?! — questionou o rei.
  — Por volta de dois dias, Majestade...
  — Pois assim que a primeira rajada de luz vier sobre o céu junto com o sol, iremos partir para acabar de uma vez por todas com eles!
  — Mas me diga: o que lhe deixa assim tão furioso?
  — O Save Cristal me abandonou completamente! Isso quer dizer que eles finalmente encontraram outro Player e vão querer me derrotar!
  — Como isso foi possível...?
  — Não se preocupe Clown, eu irei pessoalmente acabar com eles antes que o Player aprenda a dominar sua força.